domingo, 4 de abril de 2010

Histórias da eira

Ainda me lembro
daquele tamanho pequenino que
servia no meu corpo. Dos saltos
de gigante que dava para tocar a bola
cinza e laranja de metal que se
pendurava como o sol
no céu do eirado dos meus avós.
Lembro ainda que ao longe,
entre as colinas, havia
uma linha recta pintada de azul.
"É o mar!" – dizia o avô.
Sempre acreditei sem confirmar,
mas sim!, é o mar. 18Km de montes e vales
não bastam para cobrir toda a sua dimensão.

Hoje é tudo tão diferente!
Diferente dos dias de sorrisos fáceis,
das danças acrobáticas que exibia para eles
como se de uma artista me encantasse.
Lembro a magia movida pelas águas soltas do tanque,
as águas guiadas pelo rego feito
à sachola sobre as terras daquele quintal.
Algures no seu percurso estava a gincana de
frutos do carvalho que faziam a água salpicar
entre as bolinhas de sabão.
Aquele tanque imenso e cinzento,
hoje tão pequeno, que me
refrescava nos Verões quentes
como uma piscina de luxo
entre os sonhos da infância.

Hoje faz frio! Esta sensação recorda-me
a faúlha apanhada entre as árvores do monte.
Essa colina que era invadida de névoa
nas manhãs em Carvoeiro.
Cheirava a algo especial.
Não sei como descrever
aquele cheiro, mas reconheço-o
em qualquer lugar do mundo.

Se o tempo me deixasse voltar…
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(Imagem da autoria de: Nuno Boavida)
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