sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Nas noites de lua

fotografia de TiagoXavier

Há uma flor em chama que
arde em corpo incandescente
de pele morena e atracção latina.
E vontade de mar com areia que prende
a alma, o desejo e satisfaz a malícia!
O corpo molhado de suor
com sentido de amar e ânsia de rasgar…
a essência! E descobrir o âmago de doce
encanto, de eterno mistério!
Há um não entender a distinção de corpos
perante essa fusão perfeita,
a camuflagem das areias!
Há sementes que se dispersam
na nudez da sereia
junto às águas em alarido!
E os voos que se desencadeiam
enfeitiçados por rituais de amor… bruxarias!


Ai… estas noites de lua…
quando os véus se trespassam
e se desfloram as inocências!
E os sorrisos no rosto
mudam de mulher!

Nessas noites de lua…
quando tu, não és tu! Sabes?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O encontro das deusas

"Retrato das ninfas" fotografia de Salvador Pozo

Elas encontram-se e são
astro jardim de sereia e encanto…
são náuseas e guerras e lutas de mim.
São serpente e ave e perfume de jasmim.
Elas são elixir e raiva e veneno em mim.
E se misturam olhares num eu que não sou ou sou eu,
e cabelos e mãos e ventos de sorrisos de cores
que se baralham.
Elas são inocência e violência,
malícia e carícia… afagos de loucura e afins de indiscrições!
O que elas não são, é duas… e distinção e diferenças
e corpos sem singular!
O que elas não são, são ventos de norte e sul,
mas sopro só da mesma boca, e toque e dedos da mesma mão.
Porque quando as deusas se encontram e os ventos se misturam
há furacões e desentendimentos nas almas dela,
no corpo vazio e cheio de desordens.
Elas são uma miscelânea de melancolia,
ardor e repletos não entenderes.
Beleza e fealdade, malvadez e bondade,
são o que são elas ou ela, nem sei!
Elas são cantares antigos e imagens
de branco e preto pintadas…

Elas são, claridade e confusão…
não entendo, mas são!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ele é…

"Looking" fotografia de Miguel Delgado e Silva

Ele é…
canto e encanto na minha vida,
magia e ilusão!
Ele é…
o meu Aladino
e desejo realizado da mesma lâmpada!
Ele é…
estrela na minha mão
e rosas no meu chão!
Ele é…
mistura do género mezinha de emoções
de forças ascendentes e vontades de atingir!
Ele é…
força minha,
e garra intrínseca!
Ele é…
passado que venero,
futuro que desenho!

Ele continua a ser…
o que não sabe,
e se proíbe sentir!!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ele era…

Ele era…
o inverso do meu mundo,
e parte azul do meu céu rosa!
Ele era…
a carícia contida no rosto pensado inalcançável,
e o olhar que perpetua no coração.
Ele era…
raiz de árvore nascida em chão nunca pisado,
e ave celeste nos céus longínquos!
Ele era…
porta entreaberta,
e chave lançada ao mar!
Ele era…
o toque eloquente,
e o sorriso intranquilo.
Ele era…
o sonho de todas as noites,
o desejo de todos os dias!

Ele era…
o que não sabia
e se proibia sentir!!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O futuro estava escrito na carta de amor…

- Recordo o passado e, lamento
os passeios de mão dada, que não demos!
- Mas trocamos olhares de doçura
com amor de infância… eternos!
E por cada flor murcha que te surgia
eu te ofereço agora, meu amor, um jardim!
E perdoa o beijo que a ti não foi dado
assim, como todos os dias de amargura.
- Tu eras o meu bálsamo sem, no entanto,
deixares de ser, a causa do meu cansaço.
Tu foste a partida, o percurso e a meta!
- E sou hoje, doce amor,
o troféu que exibes ao teu coração…
- E foste, deusa minha, o destino de todas
as forças, o propósito máximo, a devoção eterna.
- Sei que guardas tantas d…
- …não!, guardo, antes, a tua carta de amor!
- De predestinações, de futuros idealizados,
hoje presentes… sentidos!



E hoje…

Hoje, eu amo-te com alma finda de mortal
e eternidade dos deuses!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Hoje (não) apetece-me…

Hoje apetece-me…
Oh! Não me apetece nada…
Não me apetece rasgar
todas as folhas dos cadernos.
Partir pratos e copos num acto
de fúria contra as paredes…
hoje, não me apetece!
Não me apetece gritar até
dilacerar a alma.
Não me apetece esfriar o
corpo na chuva,
nem rebolar na lama!
Hoje não me apetece
cair num buraco sem fundo
nem bater no corpo que não reconheço!

(…)

Hoje apetece-me…
Oh… não me apetece nada!