sexta-feira, 21 de novembro de 2008

365 passos dados

fotografia de André Brito

Chega na alvorada envenenada
um trilho sem chão
que nem a audácia sabe como suportar…

A realidade de um acaso…
O parar dos corações!

Há o assombro da verdade
que a multidão quer mentira.
É o gritar de uma união!

Aljôfares espalhadas pelo chão…
Um choro que parece não cessar!

A força alada e repentina
que ninguém sabe de onde vem.
O ânimo surpreendente!

Apesar do pranto escondido que todos viram
e que todos derramaram…
sempre brilhou o verde no horizonte!

No sorriso estava a fé eterna
e o não parar de caminhar!


Depois, o vento veio audaz
e levou de ti os cabelos
como leva as folhas caídas de Outono!

Mas há sempre uma Primavera para nascer
e pendurado em caracóis, voltará o brilho do olhar!


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Doce de árvore

fotografia de Luis Azevedo (alterada)

 
O bailar baixo do cachecol
traz do passado, o doce cheiro da amêndoa
e está na cor irrequieta do arvoredo
a ansiedade, o sabor a Natal.
Impedido de entrar,
está o frio de Outono
aos portões da gabardine;
e a alma aquecida por um
sentir que aconchega,
leva no colo um passarinho verde.
Que vê! Que sente!
Que canta uma melodia
ansiando o compasso afinado do coro.
Solta a folha velha,
esquece o fruto maduro
e guarda os seus segredos
no silêncio de Gaya!

Só num lugar pode nascer um doce de árvore:
no lugar em que a brisa é perfeita
e sopra no raro momento em que
o baú das sementes se abre.
Sempre tão fechado! Tão secreto e lacrado!

Qual espanto espanhol…
doce de árvore é uma criação portuguesa!