segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Nem na noite de Natal é, sempre, Natal…

Eu vi naquela noite fria
o canário a cantar na gaiola
e a mesa estava quase vazia.
Com o pote ao canto, a lareira de pedra aquecia
a pequena cozinha de negra
cor junto à chaminé.
O prato não estava vazio
e o coração… esse, esse é que não;
apesar de não estar lá mais ninguém.
Para além dela! E do canário!
A porta estreita de cor azul
deixou ver os cabelos curtos…
os brancos caracóis!
E lá estava aquela mesa tão pequena
e o banco de madeira, que é único.
Lá não mora mais ninguém!

Pergunto-me:
Foi Natal para ti nessa noite?
Eu não sei… ou antes, sei!
Sei que batia paz no teu coração e
os teus olhos sorriram amor naquele olhar!
Sim! De certo que nessa noite, foi Natal!

Quero dizer-te, por tudo, que gosto de ti…
Que beijo o teu rosto com amor!

Ah! É verdade,
agradeço a promessa feita ao teu Deus!

Continua a fazer Natal e sê feliz!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Tela interminável

fotografia de Nuno Belo

Quando o mar salgado do olhar
choca com os rochedos dos lábios,
sou diálogo mudo
e canto gregoriano!
Sou flor frágil de jasmim
e tecido rasgado de cetim!

E o ser que se quebra ao meio
que de sangue de desvanece… morre,
cai no esquecimento da folha, jamais, caída
e nas preces diabólicas a negros deuses.
Quando a chuva fria no corpo
molha as entranhas da alma,
sou fuga de mim
e desespero e caminho indagado!

Sou jogo sem regras
e caneta sem tinta!

E nenhuma tela serve para pintar
os devaneios da essência.
E como pintor louco
atiro o pincel contra a tela… em desrespeito!
E passo a mão suja de tinta
no rosto cansado que revela a alma…

…é quando de ira se grita!



E o chão é o meu leito!!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Senta-te… eu conto-te como era!

"Balanço de criança..." fotografia de Dulce Carvalho


Na lareira havia fogo
sem lenha e no ar está ainda,
o cheiro daquele lugar.
No ombro, as gargalhadas
perdidas de crianças
que brincam no passado!
Havia no cantar da cigarra
a alegria de viver
e o empenho da formiga.
O porão muitas vezes vazio
mas cheio de realidades
que tu nunca entenderás.
A colcha de palhas aquecia
os corpos pequeninos que sorriam
sem saber do mal que lá fora morava.
O chão de cimento frio
e a parede húmida nunca
gelaram os corações que
habitavam aquele cais.
E todos os lugares de hoje,
diferentes dos de amanhã
nasciam nas manhãs de chuva
plenos de sol.
Todos os jardins tinham
belezas perfumadas apesar do
manto de orvalho que as cobria de noite.
Eu posso até querer falar-te
dos mistérios da minha terra,
mas no peito batem histórias
que não se conseguem ensinar a ninguém…
não se contam, nem se escrevem…
…sentem-se apenas!

O beijo da manhã e ao cair da noite…
oh! ritual mágico que tanto venero…
cuido-te e estimo-te como milagre
concebido em comunhão de todos os deuses!
Havia o sorriso inocente
que escondia a traquinice de criança…
o vidro partido pela bola
e as quedas das aventuras sobre rodas!
Oh tempo… permite-me sempre lembrar
as ternuras que um Amor de verdade ensina,
pois não haverá tinta escrita em papel
que me permitam, jamais, (re)aprender o que aprendi!
As casinhas feitas em madeira ou cartão
e nosso rio… a água do tanque!
As paredes da nossa mansão azul
com estrelas amarelas e janelas de gelatina,
chave de pensar…
O gato ora preto ora siamês,
dormia na nossa cama que a noite assombrava
de alicates papões… comedores de bracinhos de crianças!
Sobre a fortaleza brilhava
a nossa estrela de madeira de aconchego pintada…
Por baixo, a adega quase nunca pisada…
…lá moravam fantasmas
que o medo não deixava incomodar.
Falo-te de mim, de nós…
assim a fingir, a brincar
e te canto o meu coração
e o carinho que incompreendido
lá habita e faz-se alto…
alto morar, agir, sentir, pensar!
E por tua culpa, tempo maravilha
sofro hoje de síndrome de Peter Pan
e danço na suavidade do vento,
e adormeço nas ondas do mar.
E sou saudade. E ternura.
E paz. E medo.
Sou (in)compreensão!
A fome, o chorar, o não ter lugar para deitar
tornou forte a alma
e manteve a gaveta fechada!
As cortinas improvisadas
e a cozinha de cor branca pintada,
foram garra de caminhar, foram força de subir!
O caniche que não podia ser escovado
(só a Natureza não se pagava naquele lar!)
e o rafeiro que defendia
o dono com imensa força de amar
faziam-me sentir…


…eu sentia-me em casa!!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A fé dos homens

peço desculpa por não identificar o autor da fotografiaLeva a dívidas de contas nunca saldadas
causadas por ingenuidade ou estupidez!

Leva a filmes de terror
de homens sem cabeça; sem mãos!

Leva a sangue derramado
e joelhos rompidos nos caminhos!

Leva a oásis de virgens
e deprimentes visões forçadas!

Leva a um ciclo de vingança
e armas em inexperientes mãos!

Leva a um transtorno demente
sentido, tatuado no corpo!

Leva a súplicas às divindades
e pedidos a querubins!

Quando o coração, de medo, aperta…
…ou não…
sais sem pensar para onde vais…

É o caminho por onde te leva…
…a fé dos homens!!


quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Na distância do olhar

peço desculpa pela imagem não estar identificadaO alento que despe o azul
faz cinza de sua cor
e não há carmim que arda
e força que faça agir!
Há vontade da não vontade
e querer gritos que dilaceram
o corpo, esmagam os ossos
fazem os teus olhos raiar…
de raiva!
É um querer parar que enfurece
corrói, destrói, mata!
Não há nada, sorrisos que
façam sorrisos,
vontades que façam avançar.
E o tédio…
o querer esmagar, desenraizar
o descontentamento de algo descontente!
Ai… que te faz querer gritar!
E não há silêncio que te valha…
e as bocas não dizem nada!
Peço silêncio! Não me ouvem…
Oh! Claro que não…
Não me vêem…
há uma invisibilidade que cega
os olhares intragáveis!
Dá gana, as vidas conspurcadas de tudo!
E dá raiva!
Dá tanta raiva… que chega a matar
o ânimo, cortar o cadáver,
estrangular a essência!
Dá vontade de te dizer que…
…que te odeio, com alma,
com corpo, com coração!
Com raiva!

Quero não ver-te de mim!
Não se vê a raiva no olhar?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

(In) compreendo!

"*junto a ti*" - fotografia de .k&p

Sente-se no mar
a influência da lua
e no corpo, o frio
da água gelada!
Vê-se no rosto
as lágrimas dos olhos
e na alma, o golpe
da maldade!
Lê-se no livro
o ruído das páginas
rasgadas, e nas letras
a mancha do sangue
da estaca que matou o coração.
Dói a visão que dos animais
tenho, de corpos com chagas
e a chama da crueldade
que toca a Natureza.


E queimo de incompreensão!

(…)

E dói cá dentro este não saber
o que fazer. Não entendo
e ouço sem ouvir, como
olho sem nada ver.
E inconsciente fico
deitada no chão azul
e tudo é tão duro, tão agressivo
e dói no corpo os actos da mente!
E lá está, uma vez mais, a voz rouca
que à minha frente se faz perceber
sem impedir o corpo inchado
de se expressar!
E apesar de no ar estar
os olhares apaixonados que
fazem inspirar a sensação do passado…
eu deliro de ti!
De loucura! De incompreensão!!
De ilógica…de não razão!

A última dança

"last dance" - fotografia de Carlos Santos
Há dias em que a magia
não cabe na palma da mão;
E outros há,
que foge com uma brisa
e desaparece no vento!
E o mar tempestuoso
baila de folia numa briga perpétua
com a areia.
E cantam as sereias o encanto
envenenado de ilusões
e secretismos cretinos
que levam a crenças irreais.
Afogam estúpidos apaixonados
que não sabem distinguir os sentidos
…e fingem amar!
E o sol quente, vermelho fica
de raiva, de incompreensão…
de vergonha das visões que
na alma lhe entram.
E lhe rasga a essência!
E há na sedução do merengue
uma verdade de mentira que
se faz valer de mitos e delírios.
Uma dança corrompida que
desliza os pés de bailarino
num corrupio abismal!
Um fim longínquo,
que a vista não alcança
e a voz não atinge!
E não há dizeres que digam
o que a alma sente
e o rosto amachucado transmite.
Não há gesto que toque,
calor que aqueça
e espírito que permaneça
…no corpo!

domingo, 18 de novembro de 2007

Duelo

"duelo" fotografia de ABritoEla é um corpo nu
no meio do nada
e sente de cetim encanto,
um encanto inventado que nada é!

Ele é um corpo nu
cheio de tudo
e sente a seda daquele encanto
numa atracção fatal que tudo é!

Ela é mulher modelo
de ousado desejo
com vestido prada e
cabelos delicados!

Ele é homem sedução
de vontade corrompida
como mulher prostituta
e rasgos na terra.


(…)


Eles são sexo e dança tribal
são paz… são guerra…
…são invenção real;
…são luta proibida!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Vazio

Emmy de António Louro

Cheira a rara a inspiração,
não há feches de luz ou
potes de mel…
A pelúcia sozinha
na cama vazia…
e o âmago sabe a fel!
Não há lágrima que alivie
ou ópio que faça esquecer,
e no peito dói…
…o rasgo da alma!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um toque na alma…

fotografia de Pedro MoreiraHoje apetece-me,
abrir todas as portas,
rasgar todas as luzes,
enfeitar todos os ares!

Hoje apetece-me,
não ser eu, para variar,
voar contra os ventos
e afogar-me em insondados mares!

Hoje apetece-me,
desacreditar em todas as crenças,
recolher cortinas teatrais,
e aplaudir todos os actos!

Hoje apetece-me,
ter asas e voar,
ler todos os contos e sorrir,
e escrever a pena todas as histórias!

Hoje apetece-me,
erguer os solos ao passar,
calar todos os ruídos,
ouvir todos os sons!

Hoje apetece-me,
saciar-me de encanto,
pintar de verde todas as cores,
e não sentir frio nos gélidos abismos!

Hoje apetece-me,
não ter medo de chorar,
não ter vergonha de rir,
sonhar borboletas de campos celestes.

Hoje apetece-me,
espreitar o horizonte,
torná-lo perto de mim,
e brincar de criança!


Eu quero rir às gargalhadas,
deitar-me no chão e ver estrelas,
passear-me por caminhos de nuvens,
tocar o sol e aquecer…

…a alma!!!

sábado, 13 de outubro de 2007

Desencanto

peço desculpa por a fotografia não estar identificadaCantam desencantos,
os cantos do poeta…
Choram manhãs de Inverno,
os olhos do poeta…
E há no rosto, o negro da alma
que mata o coração
e venda os olhos do poeta!
Ele não vê lógica ou razão
só sente a dor que lhe esmaga o peito,
dilacera todas as células,
dissemina todas as cores
e lhe confunde a visão…
Transtorna a sua vida de poeta!
Há em cada pergunta, incompreensão
e um descontentamento,
malfadado, aziago… maldito!
Há momentos de ternura
que se querem eternos,
mas distantes do presente.
Há mágoas agarradas a algo,
intrínsecas em mim
que abafam palavras,
sufocam gritos,
assassinam choros!
Quero-te longe e
que amaldiçoada sejas
por entrares, silenciosa…
cobarde!!
Espezinhas sorrisos
e julgaste poderosa…
Quem és tu? O que pensas poder?
Sai daqui coisa maligna…
Há ventos que te sopram
e Primaveras que querem nascer!!!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

23 pétalas de uma Fiori

fotografia de Natália Carvalho
Oito estrelas guiaram no céu o mês de Outubro.
Oito mares, reais e inventados, trouxeram à praia uma sereia.
Oito (mil!) vozes proclamam por ares,
suplicas de um infinito número de perdões…
um perdão, imensamente, desejado para
um esquecimento que não podia ter acontecido!
E mil, de oito, montanhas se movem
trazidas por vazios e uma dor na alma…
se curvam perante ti, doce e linda Fiori, num pedido
clamoroso de… perdão!
E astros caiem do céu,
a meu pedido, para te alegrar…
e se penduram nos teus negros caracóis
para te devolver um sorriso que te roubei!
Nem as lágrimas à noite choradas
apagam uma mágoa que rasga o peito
e se pendura numa moldura escura
“cadastrando-me” com adjectivos de maldade!
E mesmo com aquela flor murcha,
a tua Primavera nasceu…
porém, no meu jardim chove,
e só uma flor está de pé!
O nome dela… Fiori d’Amizade!
Os deuses, estendem o tapete negro,
para que eu rasteje até ao teu trono
e aí me levante… se me deres a mão!!

23 pétalas te ofereço doce Fiori.
Aquelas que o meu vento levou…
eu corri… mas não consegui agarrá-las!

Por isso… peço PERDÃO!!!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sempre na sombra…

peço desculpa pela imagem não estar identificadaPorque caminhas na minha sombra
de passos sorrateiros e vontades asfixiantes?
Porque te fazes ouvir, duende malvado,
nos instantes de eterna amargura?
Porque te fazes notar em pequenas quedas
e as fazes sentir como abismos infernais?
Porque me presenteias
com embrulhos de escritos roxos timbrados,
e me envenenas com ares irrespiráveis?
Porque me passeias por caminhos vazios
e me cantas melodias sem som?
Porque me fazes viver de vozes caladas
e desejos algemados?
Porque me deixas viver de sonhos
se ao amanhecer me acordas?
Porque me deixas escrever sem tinta
pensamentos de poeta?
Porque te chegas em sabores ultrajáveis
e te delicias de maldades?
Porque danças em rituais macabros
e impinges crenças sob negras magias?
Porque te revelas sempre tão egoísta,
possessiva e delinquente ladra de sorrisos?
Porque me fazes chorar
lágrimas de sangue intermináveis e
dores infernais de estacas, no peito, cravadas?

Quero que saibas que és odiada e
se pudesse…

…eu matar-te-ia!!

sábado, 29 de setembro de 2007

Não quero mais maçãs

Às vezes, há uma maça
que envenena a alma
e rouba a inspiração…
E no âmago corre
um bálsamo decadente
carente… das veias de poeta!
E caminho sem chão
sobre fendas, insistíeis, que se abrem…
Que me fazem cair!
Quando me levanto…
(…)

…há tantas maças nesta macieira!


terça-feira, 25 de setembro de 2007

No teu barco de brincar

"Será que ainda vai???" de Luís CristinoRasgaste a multidão impaciente de estranha serenidade,
mares desassossegados e fictícias ondas
e fizeste-te, decidido capitão,
presente como um desconhecido.
Ficaste sentado próximo da negra rocha
que sentia minha,
e lançaste-me um olhar de brilho ameaçador.
Sorri tão envergonhada quanto tu
(apesar de ti criança!)
e quis roubar-te a atenção.
Viraste o rosto de pele morena suave
num gesto altivo e dominante,
mas deixaste-me ver (sei que sim!)
um sorriso teu como resposta.
Senti ambição… vontade de abraçar
esse teu corpo tão pequeno e difícil de alcançar,
como se de conhecidos o dia escrevesse.
E navegar… navegar no teu mar de sonhos
e no teu barco de brincar!
Mas não nos tocamos; não nos aproximamos…
nós nem sequer falamos!
Caminhei, então, na minha praia
enquanto te via recolher a amarra e preparar a partida.
Sopraram os ventos fortes,
levantaste as velas da fantasia…
e incompreensivelmente, tudo ficou deserto…
não havia ninguém.
Olhei-te com tristeza e senti as mãos atadas.
Não pude fazer nada para além de
acolher o teu sorriso e retribuir o teu adeus.

Tu nem o teu nome me disseste…
…e foste embora!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Agradeço o que me ensinas, Flor de Lótus

fotografia de Vanda LacãoO dia acordou com cores de Outono
completo de belezas banais! (Tão belas e desprezadas!)
Que eu e tu vemos… (e poucos mais!)
Entre as roupagens das árvores desnudas,
encontraste-me tu…
sem chão, origami sem cor que a criança esqueceu!
Pegaste-me com cuidado
e admiraste a arte de papel.
Limpaste o sujo e pintaste o branco
com as tintas invisíveis do teu pincel!
Disseste: “És especial!”;
e eu, sem vida, incrédula,
pousada em tuas mãos, aí fiquei.
Deliciei-me de ti e da perfeição que me ofereceste!
Obrigada por todo o carinho!!!
Incapaz de ver, fiquei no beiral da janela,
sentindo como que por ousadia,
a ternura que dedicas às aves feridas,
às plantas de um jardim…
e o tempo, do teu tempo tão limitado
que me ofereces a mim!
Alimentei-me de poesias que te encantam,
e sem mexer, tudo senti!
E de mansinho, a noite espreitou à tua vidraça
trazendo no sopro da brisa, um feitiço do Oriente!
E no pequeno pássaro de papel,
bateu um delicado coração!
Há essência agora! Obrigada!
Olhei para ti… adormeceste entre tantos afazeres!
És tão meiga, tão harmoniosa!!!
Não te queria deixar, mas voei…
porém, numa árvore do teu jardim,
construí o meu ninho e voo de quando em vez
até à tua janela para cantar-te de mim.
Mas tenho medo, apesar de tudo,
de brincar aos poetas e falar de poesia
à mestre das palavras!
Mas arrisco sempre,
pois consigo sentir o teu sopro em cada voo
a as tuas mãos em cada queda!
E nesse cantinho que me deste,
leio os escritos da tua pena
que derramam sobre o papel sabedorias
que me dão alma, fazem bater o meu coração
e me lançam, novamente, para voar!
Assim, um passarinho descobre,
que há uma flor a querer nascer
por baixo de cada pedra deste chão!

Desculpa! Mas sem querer,
descobri um segredo teu:
numa das noites, quando fui para ti cantar,
vi-te chegar pela porta das traseiras,
e vi… desculpa, mas eu vi!
Vi que no rasto de cada passo teu,
era atirada para o céu uma estrela,
e que em cada pestanejar,
a lua brilhava mais!
(Escondes mistérios tão belos!)
Foi então que entendi,
que tudo em ti é mágico!
Nessa noite, vi-te acariciar a Natureza,
beijar os animais…
adormecer junto à lareira e…
fascinante!
Magia das magias…
com uma delicadeza infinita,
pouco a pouco,
o teu corpo transformou-se
numa bela e deslumbrante
Flor de Lótus!!!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Os dois falam em silêncio

"Fake Plastic Love - III" de Maria FloresEla espera, deitada… de luz acesa
as palavras para o fazer ouvir.
Porém, nada surge e chora amargurada
sobre a velha almofada já molhada.

Ele espera, sentado à janela do seu quarto
que após o estalido da porta,
entre ela, como sempre faz,
sem autorização pedir.

Ambos esperam, os olhares recatados
sem palavras, mas mil dizeres.

Ele quer que ela lhe roube o cigarro:
- “Promete não fumar!”;
- “Só se…” – tenta dizer,
se aquele beijo ansiado
não interrompesse a sua deixa.

Ela quer a sua ternura e o sussurro ao ouvido
de um sem número de promessas.
Ele quer o seu abraço e a retribuição
do murmurinho junto ao ouvido dela.

Nasce sincronicamente um silêncio
que um sorriso revelador quebra.
Nem todas as palavras de amor juntas
diriam mais do que aquele gesto.

Mas num espasmo repentino,
os dois acordam em dimensões diferentes.
Os dois lamentam, os instantes erróneos
que invadem as suas vidas e os fazem chorar.
E há num sorriso real,
no contacto de um verdadeiro beijo...
...o perdoar!

Aqueles loucos apaixonados amam-se,
mas não o sabem revelar em todas as expressões,
não conseguem entender
que o maior sentimento bate no peito…
e que não se vê!

sábado, 8 de setembro de 2007

Cativa

"PARADISE... not for me" de Paulo Madeira

Vim dizer-te, a ti, que cheiras liberdade,
que num mundo invisível,
algures no meio do nada me encontro eu...
prisioneira de uma passividade infernal que me condena
a uma tortuosa e ansiosa espera de voos ascendentes!
Sinto-me ser sugada por areias esfomeadas,
e a aflição de um querer sair de um poço sem fundo!
Sinto o romper dos dedos que chega ao osso ,
numa tentativa desesperada de trepar até à luz.
Vejo o sangue derramado descendo pelos meus braços
e sinto a terrível desesperança de unhas quebradas.
Não vejo nada… aos meus olhos, a escuridão é tudo!
Sinto o meu corpo imundo,
de sangue derramado,
de lágrimas que de sujo a terra registou,
de tatuagens de feridas, jamais, cicatrizadas.
Sinto a alma conspurcada
de medos que se entranharam,
de vontades inúteis e impossíveis!
Não há escadas neste vórtice,
nem corda de salvação…
não há nada, para além de uma dor incomparável.
Nem estaca que invada o meu corpo e perfure o meu coração…
…não há...

...não há salvação!!!


Há raiva… muita raiva! Ódio e maldizeres!

sábado, 1 de setembro de 2007

Um rasto de…

"Perdoa-me pois sou pecado" de Helder Mandes

Sou traição de leitura de bela inocência,
pecado de pensamentos de poesia,
espuma de banheira onde emerso,
toque provocante que as águas revelam.
Sou sedução que te desafia
numa aventura arriscada e sem pudor,
roupa molhada pela chuva de Verão,
que desenha a escultura de um corpo…

…e te rouba o sono! Te alicia!


Sou Inferno e desassossego da tua alma,
raiva que te desperta e te obriga a amar!
Sou musa de mentes de poetas,
modelo desejada em telas de pintor!
Sou tempestade no teu deserto quieto,
fúria que te dilata as veias e te faz gritar!
Sou o teu desejo mais amado e repulsivo,
que queres ter e mandar embora…

Sou corpo despido que te prende em mim,
olhar abrasado que te aprisiona
num quarto de paredes invisíveis.
Sou uma condenação perpétua!
Bloqueio palavras e algemo as vozes…
E numa ordem de feitiço,
todos os gritos são calados!

Choro, então, lágrimas de fel
que deixam no rosto um rasto de…
…pecado!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Recado de Amor

Retirada de www.olhares.com
Peço desculpa por não estar identificadaInebriante o beijo roubado
ao som da rosa do tango
e à luz da lua-cheia.
O toque sem pudor e soberano
da tua mão no meu corpo.
Sem nunca…
jamais, ser esquecida a união de amor!
Olhares que dizem mais do que palavras
beijos que saciam mais do que água!
E tenho-te minha paixão…
no contacto delicado dos nossos lábios,
nas carícias das nossas mãos,
no suor dos nossos corpos!
Sinto… o calor arrepiante
que adormece o meu coração
e leva a minha boca a dizer: “Amo-te!!!”.
És a alegria dos dias de nevoeiro
e a mestria de amanheceres de sol!
És café quente e calor da fogueira de Inverno,
frescura de Primavera!
Paixão delirante concedida
por um pedido perfeito!
Não há beijo nosso que se permita olvidar,
pois todos têm um toque rubro que arrepia,
um sabor a fruto maduro, a tentação jovem!
Têm chama incandescente
e história incontável…

…sentença de apaixonados!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Boneca de trapo

"O poder olímpico" de Luís Lobo Henriques
Como podes fazer isso comigo?
Tratar a minha presença como ausente?
E falar de mim como de uma estranha?
Como consigo confessar-te medos e alegrias?
Sou tão frágil perante ti… sabes tudo sobre mim!
Falas-me de mil formas
e só aceitas uma voz para falar contigo.
Não aceitas, jamais, diferentes tons libertados!
Dominas toda a minha vida,
sou brincadeira de tuas mãos…
que mexe se tens vontade,
e se cala se assim queres!
De que cor és tu, fada?
Que cantos são esses que me condenas a ouvir?
Que gritos são esses que só em mim ecoam?
Não sou, nem nada sei, sem ti,
mas o teu domínio, por vezes, esmaga-me!
Perdoa-me, ninfa, pois tanto te amo…
mas dá-me o meu espaço, o meu sol radiante.
Não me digas que ainda não me mereço,
e que em teu cativeiro devo permanecer…
é que não suporto mais esta sede de liberdade,
…esta louca ânsia de voar sozinha!
Não me prendas mais as asas
e deixa-me cair desacompanhada
neste voo mortal em que me aventuro!
Dá-me, meu ser superior, minha deusa alada…
Esta liberdade que te peço…

Há imensa porcelana… para que queres um trapo?

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O lado monstro da face bela

fotografia de Paulo MadeiraHá algo no peito que aperta,
sobe pela garganta, mas sufoca.
Não (te) sei dizer
e o cansaço é demasiado para (te) escrever.
Há uma manta negra… pesada,
que abafa; que esconde e oprime
um dizer sempre silenciado.
Presenças que esmagam…
ausências que condenam!
Há um grito mudo
que se quer fazer ouvir
pelos donos de expressões desinteressadas.
Há um sol que não ilumina…
…corrói!
Há um vento que não apazigua…
…destrói!
Não há calma que sossegue
nem conforto que aconchegue.
ou ternura que baste.
Não há relógio que tranquilize,
água que sacie,
ou acorde melodioso…
…flor perfeita!
Sentimento limpo!!
Há um espinho que tortura,
uma corda que enforca.
Há uma morte que sinto…
sem sentida ser.
Há uma maldade que rasga o corpo,
assim como a chama que incendeia.
Não há liberdade que repudiada não seja
e negação que de constante não se trate.
Há afogamentos e gelos
e mil vidros partidos.
Não há tempo que pare para meu abrigo,
nem sorriso que não castigue.
Não há azul no meu céu
nem verde na minha paisagem.

E nem há um aplauso após o fechar da cortina…
…a realidade matou os sonhadores!


Devolve-me a alma…
dá-me paz!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A minha morada

"Próximo do Sonho #7 " de Joãocarlo
Levo-te comigo numa colcha de estrelas
e nuvens de cetim
para um encanto de findas terras
e noites desconhecidas.
Levo-te para um mundo de rosas
e espinhos de esponja
tardes de chá ou de amendoim.
Levo-te comigo num trajecto de mil pétalas
e numa escrita de imensas cores
para um paraíso de bolas de sabão
e gigantes castelos de areia.
Levo-te comigo para um lugar
onde o vento sopra suave
e a Primavera nunca deixa de em Março nascer.
Levo-te comigo para que te passeies
num rasto luminoso de astros
de agreste rugosidade histórica e cor cinza.
Levo-te comigo para que conheças
melodias líricas como toada de fundo
e danças de querubins de beleza rara.
Levo-te comigo em todos os desejos angelicais,
gostos de um sem número de aromas
e calmarias de todos os mares.
Levo-te comigo para um constante toque da Natura
perfeição de todas as flores
e carinho dos animais.
Levo-te comigo para o fantástico
da mais extasiada fantasia
nas sublimes asas… no calor da Fénix.
Levo-te comigo para um lugar de cores indefiníveis
e belezas indescritíveis.
Levo-te comigo num voo rasante pelos céus
no calor de uma chama que não queima,
numa chuva que não molha…
…num beijo que não se esquece.
Levo-te comigo para que o teu olhar desfrute
de paisagens com sonhos coloridos
e milagres tornados reais.


Vem meu atlante…

…entra comigo na mansão dos deuses!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

É onde te encontro…

Fotografia de Rodrigo Ferreira

Na limonada de Verão
e de Inverno, no chocolate quente…
No canto das sereias daquele mar salgado
e nos doces acordes da harpa.
No sopro dos ventos e no cheiro a maresia.
Nas asas da águia,
no topo dos montes,
e na sedução dos véus.
No espírito dos animais,
no toque da Natureza,
nos sorrisos e nos olhares.
Na expressão hippie,
na música cigana,
no corpo latino.
No olhar profundo,
na doçura do beijo,
na carícia da mão.
Na tela de grande formato,
na objectiva com alta definição
e nas páginas de curiosidades.
Na luz apagada,
na luz acesa.
Na suavidade de pelúcia
e no mimo da criança.
Na almofada de sonhos,
no tapete mágico
e na lâmpada do Aladino.

No impulso e no “agora”,
no “porquê?” e no “é assim…”.
No silêncio!

É aí que estás, amor!

É aí que te vejo!

domingo, 5 de agosto de 2007

Ruptura

O negrume evadiu os céus!
Subo pela janela, deito-me no telhado…
Olho…
contemplo a carência de estrelas que aclaram o meu céu.
Sinto… sinto um zéfiro aprazível no meu corpo quase nu.
Ouço… ouço a engenhoca de chapa que aclama ao fundo
um chamado incompreensível de gentes estranhas.
Ouço ainda, o ameno agitar de árvores extasiadas
que falam entre si uma linguagem que só à Essência pertence…
Sensibilidade…
arrebata-me de ensejo uma liberdade fictícia
e uma esguia sensação de ventura.
Mas no impulso… tudo muda!
A geringonça quebra o murmuro natural…
Silêncio!
As árvores entram num mutismo profundo,
a aragem cessa no meu corpo.
Olho o céu e não vejo nada!
Não há nuvens, estrelas ou lua…
não há brisa acolhedora
ou falsa liberdade mesmo que passageira.
Não há nada para além de um vazio, estranhamente, abismal…
Algo que me consome e me rouba de mim…
A noite ficou sombria e um medo apoderou-se os meus sentimentos.
Fujo…
mas quando olho para trás não me mexi.
Vejo-me então deitada
olhando o céu longínquo com um sorriso onírico.
Quero agarrá-la… pedir-lhe que venha comigo…
…que não me abandone!
“Não me deixes fugir sozinha!”
Mas… ela tem demasiada coragem para se levantar,
eu… demasiado medo para ficar.
Sinto aquele sorriso passado
de um toque de mãos que se separa;
uma força que me faz caminhar…
…para trás.
Olho para ti e choro!
Recordo-te…
vejo os teus olhos olharem
e um sorriso repreendedor que me chama…
“Tonta!”
Mas as nossas mãos já não se tocavam,
os nossos olhos já não se viam…
…eu já não sentia o calor do teu corpo.
Desde então… caminho sozinha!


sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Vontade de agarrar!

"Há dias assim" de Pedro Moreira

Ouço cair e viajo,
por entre pingos melodiosos e ritmados que caem lá fora.
Chove agora!
Mas não é chuva que sinto amor,
são as lágrimas de um querer dizer nunca dito
que não acaba, não se permite terminado!
E na loucura sempre acontece
um pecado imperdoável
que me condena a uma mágoa perpétua.
O silêncio faz-se ouvir
e as pegadas de areia acusadas
imortalizam o caminho salgado que o mar molhou.
Pouso o pincel e a paleta de tons cinzas;
olho o vazio e os pensamentos voltam
em instantes alucinantes e poéticos
com uma agilidade que não se permite registar.
Tudo é tão rápido nos meus voos…
tudo é tão, imensamente, fugaz!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Chegas de forma estranha

"Tudo é menos do que é..." de Filomena Chito

E sempre vens em dias como este…
de chuva lá fora e nevoeiro no olhar.
Mas é efémero o pensamento e moroso o registo da pena.
E torna-se a beleza instantânea,
numa penosa e demorada escultura em greda.
Estará presente a veracidade do sentimento,
após o toque da razão?
E tanto te tenho como já não tenho;
e ora te encontro no verde da paisagem,
como te perco no azul do céu.
Estarias no toque rápido
se não fosse o acto contraditório e demente.
E sinto no cheiro evasivo do pecado,
o dialecto perfeito de um amor.
Como te explico? Não sei!
O melhor será não o fazer…
Dou-te apenas a mão
e passeio-te quando chegas,
sobre escritos de areia,
milhares de folhas de papel,
pinceladas sobre brancas telas,
pensamentos falazes e gestos incompreendidos.
Porque não sou capaz de alcançar-te;
não sou capaz de exibir-te!
Vens de forma sorrateira de luz apagada
e matas-me de ansiedade quando te espero.
Brincas com sentimentos de verdade,
Personificando detalhes discretos
enquanto alguém finge escrever poesia…
enquanto alguém ousa sentir como poeta!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A avó Salomé

"Aparecida" de Karina Bertoncini
Acordei num dia de vontades
Com um querer de carinho sentir,
E vi surgir daquele campo
A ternura personificada
No meio dos malmequeres.
Quis tocar aquele coração soberano
E acariciar o doce semblante cansado.
Recebeu-me com flores e mel
E aconchegou-me nas asas de anjo.
E usamos, avó Salomé,
O dialecto dos deuses,
Para falar da amizade.
Amo ver teus lábios num sorriso
E o brilho do teu verde olhar,
Tocar a suavidade de tuas mãos
E experimentar um saber de uma história,
Que eu sei avó... tens para me contar.