Rio até cair para o lado
embriagada pelas águas imparáveis
que se soltam do olhar.
Há loucura na dilatação dos poros,
e histeria aprisionada na epiderme.
Numa rábia intensa, o pensamento
contrai o corpo até ao sufoco
que dilacera. Bate a intenção de rebentar.
E desvanece!
Há um delírio que me deixa lúcida.
Dolorosamente lúcida.
Crente no pensamento que me avassala
vejo a verdade cortante,
uma certeza que me aponta:
TU!
Eu… eu sou um veneno sem cura,
um fenómeno estranho que se deve esconder.
O meu diagnóstico aconselha: isolamento!
"Foi detectada uma enfermidade não contagiosa,
mas que fere, rasga, destrói…
extingue a beleza íntima de quem se considerar imune."
Foge! É imperativo… eu faço o mesmo!
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(Imagem da autoria de: António Louro)


