Sei o que acontece.
A atmosfera dessas noites inebria-nos os sentimentos
e a melodia que toca só para nós
impõe à marcha um ritmo alucinadamente ofegante.
O sopro dessas noites, quase cristalizado pelo frio,
invade-nos o corpo e castiga a garganta,
trazendo às papilas gustativas
um bárbaro sabor a sangue.
No peito, às portas da essência,
contempla as garras afiadas do norte
para depois as cravar como estacas no coração,
e exibir a dor que causa no momento em que
paras para respirar e, sem querer, pensas.
No limiar da mágoa entre pensar ou, somente, fugir,
escolhemos a tortura de um frio nocturno
que se acomoda no âmago de
um corpo em busca de ópio.
De volta ao passo intenso, a música continua,
anestesiante, alheia ao pesar que sentimos.
Enfim, o derradeiro passo surge
e a ária parece terminar.
Rendidos, caímos de joelhos no chão
e voltamos o olhar aos céus…
E lá está ela, bela e malévola, a iluminar
o que sentimos, como num palco teatral
um holofote ilumina uma figura perdida no espaço.
É isto que acontece nessas noites…
…nessas noites enigmáticas de luar!
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(Imagem de autoria desconhecido)
