sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Recado de Amor

Retirada de www.olhares.com
Peço desculpa por não estar identificadaInebriante o beijo roubado
ao som da rosa do tango
e à luz da lua-cheia.
O toque sem pudor e soberano
da tua mão no meu corpo.
Sem nunca…
jamais, ser esquecida a união de amor!
Olhares que dizem mais do que palavras
beijos que saciam mais do que água!
E tenho-te minha paixão…
no contacto delicado dos nossos lábios,
nas carícias das nossas mãos,
no suor dos nossos corpos!
Sinto… o calor arrepiante
que adormece o meu coração
e leva a minha boca a dizer: “Amo-te!!!”.
És a alegria dos dias de nevoeiro
e a mestria de amanheceres de sol!
És café quente e calor da fogueira de Inverno,
frescura de Primavera!
Paixão delirante concedida
por um pedido perfeito!
Não há beijo nosso que se permita olvidar,
pois todos têm um toque rubro que arrepia,
um sabor a fruto maduro, a tentação jovem!
Têm chama incandescente
e história incontável…

…sentença de apaixonados!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Boneca de trapo

"O poder olímpico" de Luís Lobo Henriques
Como podes fazer isso comigo?
Tratar a minha presença como ausente?
E falar de mim como de uma estranha?
Como consigo confessar-te medos e alegrias?
Sou tão frágil perante ti… sabes tudo sobre mim!
Falas-me de mil formas
e só aceitas uma voz para falar contigo.
Não aceitas, jamais, diferentes tons libertados!
Dominas toda a minha vida,
sou brincadeira de tuas mãos…
que mexe se tens vontade,
e se cala se assim queres!
De que cor és tu, fada?
Que cantos são esses que me condenas a ouvir?
Que gritos são esses que só em mim ecoam?
Não sou, nem nada sei, sem ti,
mas o teu domínio, por vezes, esmaga-me!
Perdoa-me, ninfa, pois tanto te amo…
mas dá-me o meu espaço, o meu sol radiante.
Não me digas que ainda não me mereço,
e que em teu cativeiro devo permanecer…
é que não suporto mais esta sede de liberdade,
…esta louca ânsia de voar sozinha!
Não me prendas mais as asas
e deixa-me cair desacompanhada
neste voo mortal em que me aventuro!
Dá-me, meu ser superior, minha deusa alada…
Esta liberdade que te peço…

Há imensa porcelana… para que queres um trapo?

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O lado monstro da face bela

fotografia de Paulo MadeiraHá algo no peito que aperta,
sobe pela garganta, mas sufoca.
Não (te) sei dizer
e o cansaço é demasiado para (te) escrever.
Há uma manta negra… pesada,
que abafa; que esconde e oprime
um dizer sempre silenciado.
Presenças que esmagam…
ausências que condenam!
Há um grito mudo
que se quer fazer ouvir
pelos donos de expressões desinteressadas.
Há um sol que não ilumina…
…corrói!
Há um vento que não apazigua…
…destrói!
Não há calma que sossegue
nem conforto que aconchegue.
ou ternura que baste.
Não há relógio que tranquilize,
água que sacie,
ou acorde melodioso…
…flor perfeita!
Sentimento limpo!!
Há um espinho que tortura,
uma corda que enforca.
Há uma morte que sinto…
sem sentida ser.
Há uma maldade que rasga o corpo,
assim como a chama que incendeia.
Não há liberdade que repudiada não seja
e negação que de constante não se trate.
Há afogamentos e gelos
e mil vidros partidos.
Não há tempo que pare para meu abrigo,
nem sorriso que não castigue.
Não há azul no meu céu
nem verde na minha paisagem.

E nem há um aplauso após o fechar da cortina…
…a realidade matou os sonhadores!


Devolve-me a alma…
dá-me paz!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A minha morada

"Próximo do Sonho #7 " de Joãocarlo
Levo-te comigo numa colcha de estrelas
e nuvens de cetim
para um encanto de findas terras
e noites desconhecidas.
Levo-te para um mundo de rosas
e espinhos de esponja
tardes de chá ou de amendoim.
Levo-te comigo num trajecto de mil pétalas
e numa escrita de imensas cores
para um paraíso de bolas de sabão
e gigantes castelos de areia.
Levo-te comigo para um lugar
onde o vento sopra suave
e a Primavera nunca deixa de em Março nascer.
Levo-te comigo para que te passeies
num rasto luminoso de astros
de agreste rugosidade histórica e cor cinza.
Levo-te comigo para que conheças
melodias líricas como toada de fundo
e danças de querubins de beleza rara.
Levo-te comigo em todos os desejos angelicais,
gostos de um sem número de aromas
e calmarias de todos os mares.
Levo-te comigo para um constante toque da Natura
perfeição de todas as flores
e carinho dos animais.
Levo-te comigo para o fantástico
da mais extasiada fantasia
nas sublimes asas… no calor da Fénix.
Levo-te comigo para um lugar de cores indefiníveis
e belezas indescritíveis.
Levo-te comigo num voo rasante pelos céus
no calor de uma chama que não queima,
numa chuva que não molha…
…num beijo que não se esquece.
Levo-te comigo para que o teu olhar desfrute
de paisagens com sonhos coloridos
e milagres tornados reais.


Vem meu atlante…

…entra comigo na mansão dos deuses!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

É onde te encontro…

Fotografia de Rodrigo Ferreira

Na limonada de Verão
e de Inverno, no chocolate quente…
No canto das sereias daquele mar salgado
e nos doces acordes da harpa.
No sopro dos ventos e no cheiro a maresia.
Nas asas da águia,
no topo dos montes,
e na sedução dos véus.
No espírito dos animais,
no toque da Natureza,
nos sorrisos e nos olhares.
Na expressão hippie,
na música cigana,
no corpo latino.
No olhar profundo,
na doçura do beijo,
na carícia da mão.
Na tela de grande formato,
na objectiva com alta definição
e nas páginas de curiosidades.
Na luz apagada,
na luz acesa.
Na suavidade de pelúcia
e no mimo da criança.
Na almofada de sonhos,
no tapete mágico
e na lâmpada do Aladino.

No impulso e no “agora”,
no “porquê?” e no “é assim…”.
No silêncio!

É aí que estás, amor!

É aí que te vejo!

domingo, 5 de agosto de 2007

Ruptura

O negrume evadiu os céus!
Subo pela janela, deito-me no telhado…
Olho…
contemplo a carência de estrelas que aclaram o meu céu.
Sinto… sinto um zéfiro aprazível no meu corpo quase nu.
Ouço… ouço a engenhoca de chapa que aclama ao fundo
um chamado incompreensível de gentes estranhas.
Ouço ainda, o ameno agitar de árvores extasiadas
que falam entre si uma linguagem que só à Essência pertence…
Sensibilidade…
arrebata-me de ensejo uma liberdade fictícia
e uma esguia sensação de ventura.
Mas no impulso… tudo muda!
A geringonça quebra o murmuro natural…
Silêncio!
As árvores entram num mutismo profundo,
a aragem cessa no meu corpo.
Olho o céu e não vejo nada!
Não há nuvens, estrelas ou lua…
não há brisa acolhedora
ou falsa liberdade mesmo que passageira.
Não há nada para além de um vazio, estranhamente, abismal…
Algo que me consome e me rouba de mim…
A noite ficou sombria e um medo apoderou-se os meus sentimentos.
Fujo…
mas quando olho para trás não me mexi.
Vejo-me então deitada
olhando o céu longínquo com um sorriso onírico.
Quero agarrá-la… pedir-lhe que venha comigo…
…que não me abandone!
“Não me deixes fugir sozinha!”
Mas… ela tem demasiada coragem para se levantar,
eu… demasiado medo para ficar.
Sinto aquele sorriso passado
de um toque de mãos que se separa;
uma força que me faz caminhar…
…para trás.
Olho para ti e choro!
Recordo-te…
vejo os teus olhos olharem
e um sorriso repreendedor que me chama…
“Tonta!”
Mas as nossas mãos já não se tocavam,
os nossos olhos já não se viam…
…eu já não sentia o calor do teu corpo.
Desde então… caminho sozinha!


sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Vontade de agarrar!

"Há dias assim" de Pedro Moreira

Ouço cair e viajo,
por entre pingos melodiosos e ritmados que caem lá fora.
Chove agora!
Mas não é chuva que sinto amor,
são as lágrimas de um querer dizer nunca dito
que não acaba, não se permite terminado!
E na loucura sempre acontece
um pecado imperdoável
que me condena a uma mágoa perpétua.
O silêncio faz-se ouvir
e as pegadas de areia acusadas
imortalizam o caminho salgado que o mar molhou.
Pouso o pincel e a paleta de tons cinzas;
olho o vazio e os pensamentos voltam
em instantes alucinantes e poéticos
com uma agilidade que não se permite registar.
Tudo é tão rápido nos meus voos…
tudo é tão, imensamente, fugaz!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Chegas de forma estranha

"Tudo é menos do que é..." de Filomena Chito

E sempre vens em dias como este…
de chuva lá fora e nevoeiro no olhar.
Mas é efémero o pensamento e moroso o registo da pena.
E torna-se a beleza instantânea,
numa penosa e demorada escultura em greda.
Estará presente a veracidade do sentimento,
após o toque da razão?
E tanto te tenho como já não tenho;
e ora te encontro no verde da paisagem,
como te perco no azul do céu.
Estarias no toque rápido
se não fosse o acto contraditório e demente.
E sinto no cheiro evasivo do pecado,
o dialecto perfeito de um amor.
Como te explico? Não sei!
O melhor será não o fazer…
Dou-te apenas a mão
e passeio-te quando chegas,
sobre escritos de areia,
milhares de folhas de papel,
pinceladas sobre brancas telas,
pensamentos falazes e gestos incompreendidos.
Porque não sou capaz de alcançar-te;
não sou capaz de exibir-te!
Vens de forma sorrateira de luz apagada
e matas-me de ansiedade quando te espero.
Brincas com sentimentos de verdade,
Personificando detalhes discretos
enquanto alguém finge escrever poesia…
enquanto alguém ousa sentir como poeta!