quinta-feira, 28 de maio de 2009

Verde apagado

E mesmo sem nada prever,
os lagos de ervas reflectidas
transbordam pelas margens,
numa chuva tempestuosa,
os sentimentos desinquietos
daquela aldeia perdida.

Os habitantes dessas terras
moribundas, se desnorteiam
nas teias emaranhadas
dos pensamentos 'devaneantes'.

Que loucura! Que loucura é
viver nas profundezas,
desses lagos de ervas reflectidas
e, nas águas agitadas a
cada tic tac infernal!

Pára o tempo. Apazigua as águas.
Repõe as margens. Limpa os lagos…
Afasta o cinza e…
deixa o verde radiar!
.
(Autor da fotografia: Ricardo Costa)

terça-feira, 19 de maio de 2009

E é quando a vida se acaba…

- Sabes… estive a sonhar e…
- Espera só um bocadinho, pode ser?
- Sim! :D


Ela esperou… esperou!
Esperou demais e nem viu
o tempo a acabar!

Depois do sol raiar.
Depois da lua nascer.
Depois da sereia cantar.
Depois do perfume se perder.

- Mas eu preciso…
- Depois!


Depois da chuva cair.
Depois das estrelas brilharem.
Depois da criança sorrir.
Depois das flores murcharem.

- Mas eu queria…
- Depois!


Depois da música ecoar.
Depois do segredo ser esquecido.
Depois da brisa soprar.
Depois do caminho ser percorrido.

- Mas eu gostava…
- Depois!


Ela percebeu, então,
que apenas depois de tudo,
estaria ela!

- Então… :o) o que querias dizer?

Uma lágrima no rosto disse tudo
sem nada dizer.

- Depois de tudo, estou eu.
Sim! Mas agora sem mim…
sem essência ou conteúdo.
Sem razão para dizer…

E desabafou:
- Depois… “pode ser”?
.
(fotografia retirada do site: olhares.aeiou.pt - autor: Point of view)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Veneno colorido

Queria encontrar as palavras certas
para (te) escrever, e a adjectivação perfeita
para (te) exprimir as exactas emoções…
mas nada sai certo, nem o acto de respirar.
O silêncio parece ensurdecedor
e todas as visões assustadoras.
O toque é sempre frio
e o olhar, cada vez mais, gelado!
(Conseguisse eu explicar-te!!!)
Parece perpétuo este sentimento,
esta fúria e desejo de não sentir…
tudo parece tão irreal!
A luz ainda está no céu…
não posso, por isso, deixar a chuva
do meu corpo cair! E engulo as areias
deste meu deserto tão gélido!
(Já não sei mais falar-te!!!)
Mas… isto não acaba? O que faço?
Deixo o veneno? Ou deixo-me ir…
deixo-me envenenar?!

Ainda bem que gosto de maçãs!
.
(Autor da fotografia: Amanda)