sábado, 20 de dezembro de 2008

Sentidos

Silêncio.
Quero ouvir o som profundo das coisas,
e não a voz muda dos homens!
Quietude.
Quero sentir o afago da brisa
e não o toque frio da humanidade!
Atenção.
Quero contemplar os milagres quotidianos
e não a agitação desconexa das pessoas!
Calma.
Quero apreciar o sabor dos momentos
e não a obrigatoriedade dos alimentos!
Delicadeza.
Quero cheirar o lado branco da existência
e não o desagrado da infâmia!

Ouço, então, o agitar na natura de sabor perfumado…
e assim se sonha acordado!

.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pérola latina

Há um estado de espírito nobre
que invade a alma de esquecer e
a chuva que bate na janela
parece uma praia de sol,
cheia de quente e areia seca.
Um cair de gotas de chuva
no escorrega que é o arco-íris,
criou uma pérola latina
que caiu no baú de madeira
e se fez ouro.
O rasgo na nuvem do céu
traz luz à pele morena,
brilho mistério ao olhar
e um tesouro para eu amar.
.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

365 passos dados

fotografia de André Brito

Chega na alvorada envenenada
um trilho sem chão
que nem a audácia sabe como suportar…

A realidade de um acaso…
O parar dos corações!

Há o assombro da verdade
que a multidão quer mentira.
É o gritar de uma união!

Aljôfares espalhadas pelo chão…
Um choro que parece não cessar!

A força alada e repentina
que ninguém sabe de onde vem.
O ânimo surpreendente!

Apesar do pranto escondido que todos viram
e que todos derramaram…
sempre brilhou o verde no horizonte!

No sorriso estava a fé eterna
e o não parar de caminhar!


Depois, o vento veio audaz
e levou de ti os cabelos
como leva as folhas caídas de Outono!

Mas há sempre uma Primavera para nascer
e pendurado em caracóis, voltará o brilho do olhar!


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Doce de árvore

fotografia de Luis Azevedo (alterada)

 
O bailar baixo do cachecol
traz do passado, o doce cheiro da amêndoa
e está na cor irrequieta do arvoredo
a ansiedade, o sabor a Natal.
Impedido de entrar,
está o frio de Outono
aos portões da gabardine;
e a alma aquecida por um
sentir que aconchega,
leva no colo um passarinho verde.
Que vê! Que sente!
Que canta uma melodia
ansiando o compasso afinado do coro.
Solta a folha velha,
esquece o fruto maduro
e guarda os seus segredos
no silêncio de Gaya!

Só num lugar pode nascer um doce de árvore:
no lugar em que a brisa é perfeita
e sopra no raro momento em que
o baú das sementes se abre.
Sempre tão fechado! Tão secreto e lacrado!

Qual espanto espanhol…
doce de árvore é uma criação portuguesa!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sim ou não?!! Ahmm…

fotografia de Nuno Belo


Longo vai o tempo em que não a vejo…
e nós os dois a queremos, não é Amor?
Tê-la aqui…
menina dos olhos grandes, de verde olhar…
menina de sorriso fácil!
De quando em vez, sentimo-la espreitar,
e sopras a bruma que a cinge…
com a esperança de a ver ficar…
Eu saboreava a inocência do seu exíguo saber:
Para ela é irrelevante a razão que
despe a árvore a cada Inverno!
Fascina-a o encanto!
Para ela não importa o motivo
que faz nascer o sol a cada manhã!
Cativa-a o feitiço!
Está demasiado ocupada para entender,
a movimentação do planeta,
o brilho das estrelas ou a vida do mar!
Ama uma arte profunda que
nada tem a ver com Guernica…
…ela nem conhece Picasso!
E nada tem a ver com
ach, zu kurz ist unsers Lebens Lauf K.228/515b
… ela não sabe quem é Mozart!

Nada tão terreno a alicia porque
ela pinta o seu universo com cores de areia
e ilumina o céu com pirilampos!
E inconsciente…
finge ser mulher, brinca de ser menina…
sem, porém, ser nenhuma delas!

Será que algum dia ela vai voltar, Amor?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Um outro vício

fotografia de Daniel Oliveira

 
Tenho o som no volume mais alto
que o engenho pode conseguir…
preciso embebedar-me do espírito oriental…
Pensar rápido com a caneta…
Proibição: não quero sentir os meus pensamentos!
Devaneio: preciso de um ópio que me alucine!
Porque estou farta de ser:
…relíquia partida…traço indefinido…nódoa na seda…
…incompreensão…não vontade…indefinição…
…falsificação foleira…imitação irrisória…personagem grotesca!

E a batida estridente faz-me desatinar…
mas é assim que estou a querer…
sem ter espaço para sentir,
sem ter um momento para equilibrar raciocínios!
Não pares… não pares!
Só quero ouvir a melodia longínqua da terra dos bonsais!
É um estar sem rumo, um não querer saber, um talvez que se dissipa!
E os dias que não importam, as manhãs em que o sol não aquece…
são alucinação!
As flores do jardim deixam de ser incolores…
e as batidas de um coração sem propósito, sem um fim…
fazem todo o sentido!
Este feitiço que me embriaga,
este delírio que me consome
faz-me bem e é assim que eu quero!
É assim que estou a querer!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Distintamente iguais


É noite, e na sacada o seu rosto é iluminado pela fulgente luz da lua cheia, e ouve num afago a música que lhe foi oferecida, que é para ela… e faz parte dela! Sentada naquele chão flutuante agarra o seu gato que está sempre de passagem… acaricia aquele pêlo aveludado até que sente os seus dentinhos afiados a tentar “perfurar” a pele… é ternura felina, nunca o faria e ela sabe-o! Balança o pé esquerdo calçado com sapatilha tipo all-star nº 37 ao compasso de uma melodia que a descreve! Agradece ao planeta azul por o contemplar, e à Natureza por a respirar! Aos caminhos que percorreu e que lhe permitiram conhecer quem conheceu, conquistar o que conquistou… amar quem ama e o que ama! Os cabelos molhados reforçam o sopro da brisa e a carícia no rosto… há melopeias que parecem eternas e assim se desejam. O gato voltou. E desta vez ela não o prendeu, e ele ficou… acomodou o seu espaço sobre as jeans rasgadas dela. Adormeceu! Ambos gostam da presença um do outro… ambos se aquecem e amam o que vivem… cada um à sua maneira: tão distinta, mas tão igual!

…é só para dizer isto, que é o mesmo que dizer nada… ou não!


terça-feira, 19 de agosto de 2008

Sóis apagados

Fotografia de Nuno Belo


Vinte e três sóis de Primavera,
luas perdidas e traços apagados.
Há no escuro a vontade de chegar
e na luz o medo de ir.
Na dor que dilacera, há o passo dado
em busca do ser escondido!
Mas por de efemeridade se tratar,
tudo se apaga e o querer vira do avesso.
Não há crença que incentive…
sinto que os nove sóis abatidos
por Yi eram meus!
Dá-lhes vida arqueiro divino…
Devolve-me a luz pura
que tornaste sombria!

domingo, 17 de agosto de 2008

Fascínio de amar

fotografia de Luis Azevedo

 
Abres a porta e do outro lado
lá está ela, desnuda à tua espera…
com sede de amar e vontade feroz de te ter!
Debaixo de meia-luz, abraçam-se os amantes,
e os olhares indiscretos que passam na rua estreita
tentam ver entre o bailar das cortinas sinuosas
o gesto incontido dos apaixonados!
Cai pelo chão o vestidinho de seda branca
e o olhar dele segue enamorado
aquela queda demorada…
É visível a chama acesa de uma
fogueira que aquece sem lenha!
Há o percorrer dos lábios pelos corpos
moreno dele, lácteo dela!
Há olhares de um amor
que não cabe na imensidão da alma;
sorrisos, cuja boca é inábil para expressar!
E amam-se os corpos nus com um
quente laranja de fundo,
seduzidos, atraídos
pelo fascínio de amar!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

...

"Disturbe"; fotografia de Daniel Oliveira


Hoje também não me apetece sentir...

vou inventar sorrisos!


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Lakshimi eu, para ti!

fotografia de ABrito


 Já podes voar Lakshimi,
devolveram-te as asas
que tu própria querias cortar!
Inconsequente!
Como podes ser anjo sem voo,
e deusa sem devoção?
Irracional!

Há o mimo recatado meu e teu
depois do choro desesperado,
depois de um momento infernal!
Que se sequem as lágrimas,
minhas e tuas, esta noite e para sempre!
Foram lançados os pós de prelim-pim-pim…
que se faça o amor, puro e genuíno,
virgem, absoluto!
Único e irrepetível…

Que não encontremos solução no ópio,
nessa infortunada cura!
Que sejas tu e eu, e
que possamos voar com asas sem penas,
só com força de voar! De amar!

Há dentro de nós um amor que grita
e se quer fazer sentir…
é incontrolável, incansável!
Tem a força jovem de viver,
a certeza crescida de vencer!

Como poderia ser diferente se…
“Omnia vincit amor,
et nos cedamus amori”?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

…uma máscara para ti!

fotografia de Bruno Melo


Há momentos de inspiração inoportunos…
olhares, dizeres…ruídos ou humores
que apetece contrariar.
Eu vi esse teu olhar! – ignorei, quero que saibas!
Na pressão, bastaria o silêncio…
e teria sossego! O ar está sufocante,
não há eupatia capaz de aguentar… eu sei!
Ouvi-te dizer… bateu para eu sentir!
Não devia ter saído dali… este lugar
faz-me sentir mal!
Não há respiração!
Não há ninguém… ninguém nesta multidão
capaz de entender o bater deste coração!
Aqui, ou em qualquer outro lugar…
este espaço não é meu,
não o sinto meu… não se quer meu!
Deixa lá… talvez num outro encontrar
me deixem sentir e ser eu!!

Ouve! Chega lá no fundo e ouve…
é a ti que quero chegar:
Silêncio na tua alma
quando quiseres calar a minha!
E… desculpa a expressão “errada”…
vou tentar fingir… usar máscaras para ti!


sexta-feira, 2 de maio de 2008

Sente a vontade de…

fotografia de ABrito

Sinto-me capaz…
de rasgar a pele e arrancar-me
de mim, como uma porta que
se abre, como a alma que sai
de um corpo.

Sinto-me capaz…
(vê se sentes!)
de despir
a pele como o despir
de um vestido que
desliza junto a um corpo.
Apertado!

Sinto-me capaz…
(vê se entendes!)
de nascer de novo, numa outra
alma, num outro ser…
com força nova de querer!

Só não me sinto capaz…
de arrancar do peito
esta sensação e me
libertar desta dor!

Que náusea… que tontura!!


sexta-feira, 25 de abril de 2008

À tua espera

fotografia de Tuta


Sinto no toque permitido
a ciência dos magos,
e na concentração do tacto
os movimentos das águas maternais!
E é indizível
o que no peito se faz sentir,
assim como indescritível
é o sorriso entranhado na alma!
Há na ternura, a ânsia e o desejo,
a vontade de conhecer o invisível!
Espero o dia de sol
e um novo cantar no mundo,
espero a dilatação das pupilas
perante a protecção dos deuses!

Ser mágico, sublime…
…vem mostrar-te,
quero ter-te e acariciar-te!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sozinha na multidão

fotografia de Ricardo


Não encontro o acorde perfeito
para criar a melodia anestesiante…
E perco-me na diversidade!
Não vejo… ou melhor, vejo,
e tudo é escasso e tão pequeno neste espaço!
E perco-me na imensidão!
Quero… não sei o que quero,
se não rasgar todos os caminhos e
encontrar aquele horizonte.
E perco-me nas quimeras!
Faz… não, não faz,
não faz sentido o que sinto,
o que faço, ou não faço!
E perco-me na emoção!
E encontro no ópio
as lágrimas acorrentadas,
nas tulipas, a ilusão.
E perco-me na alucinação!
Sei… não, não sei…
se soubesse não estaria aqui…
silêncio na boca, calmaria na alma!

(…)

Segue o caminho pelo sol…
a sombra acaba já ali!
Vai… não te percas!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Nascer

fotografia de ABrito

E sente vontade de ser,
de nascer dela
como o pólen voa da flor!

Arrancar o tecido adiposo
que a envolve e esconde
a arte de esculpir!

Saltar sem ter medo de cair
no mar, na areia…
pelo ar!

Quer nascer para ler,
jardinar, cozinhar, aprender…
E uma infinidade de verbos que
quer saber fazer!
Roubar tempo ao tempo tão escasso
e conquistar espaço neste Espaço!
Nascer sem vergonha das entranhas
que a definem e desenham com a alma
que tem, que é… e sempre quis ser!
Respirar, enfim, com os pulmões dilatados
e as cordas vocais em total vibração…

Ser, não por ser, mas ser então, quem é!

quinta-feira, 13 de março de 2008

O jardim dela…

"Pétalas" fotografia de Jomané

“Se eu morro…
o meu jardim, as minhas flores…
as minhas tulipas que estão a rebentar agora!”

Se ela morre…
o seu jardim, as suas flores…
as suas tulipas que estão a rebentar agora…
tudo vai com ela, seja qual for o caminho!
Todas as luzes se apagam
e todas as lembranças
de negro manchadas ficam!
O sol não mais nascerá com a mesma cor
e cada vez mais pálido
tornará o seu leito agora vazio!
As vozes falam sem se ouvir
e a dor estrangulará, aquele, não mais, coração!
E jaz deitada
nas terras frias daquele seu jardim,
agora nu, despido de si…
o corpo moribundo;
e as lágrimas ácidas de raiva
queimam a essência do
mais profundo íntimo.

E se chora, porque mais nada
se sente vontade de fazer…
…para além de morrer também…
com ela… com o seu jardim!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Nas noites de lua

fotografia de TiagoXavier

Há uma flor em chama que
arde em corpo incandescente
de pele morena e atracção latina.
E vontade de mar com areia que prende
a alma, o desejo e satisfaz a malícia!
O corpo molhado de suor
com sentido de amar e ânsia de rasgar…
a essência! E descobrir o âmago de doce
encanto, de eterno mistério!
Há um não entender a distinção de corpos
perante essa fusão perfeita,
a camuflagem das areias!
Há sementes que se dispersam
na nudez da sereia
junto às águas em alarido!
E os voos que se desencadeiam
enfeitiçados por rituais de amor… bruxarias!


Ai… estas noites de lua…
quando os véus se trespassam
e se desfloram as inocências!
E os sorrisos no rosto
mudam de mulher!

Nessas noites de lua…
quando tu, não és tu! Sabes?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O encontro das deusas

"Retrato das ninfas" fotografia de Salvador Pozo

Elas encontram-se e são
astro jardim de sereia e encanto…
são náuseas e guerras e lutas de mim.
São serpente e ave e perfume de jasmim.
Elas são elixir e raiva e veneno em mim.
E se misturam olhares num eu que não sou ou sou eu,
e cabelos e mãos e ventos de sorrisos de cores
que se baralham.
Elas são inocência e violência,
malícia e carícia… afagos de loucura e afins de indiscrições!
O que elas não são, é duas… e distinção e diferenças
e corpos sem singular!
O que elas não são, são ventos de norte e sul,
mas sopro só da mesma boca, e toque e dedos da mesma mão.
Porque quando as deusas se encontram e os ventos se misturam
há furacões e desentendimentos nas almas dela,
no corpo vazio e cheio de desordens.
Elas são uma miscelânea de melancolia,
ardor e repletos não entenderes.
Beleza e fealdade, malvadez e bondade,
são o que são elas ou ela, nem sei!
Elas são cantares antigos e imagens
de branco e preto pintadas…

Elas são, claridade e confusão…
não entendo, mas são!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ele é…

"Looking" fotografia de Miguel Delgado e Silva

Ele é…
canto e encanto na minha vida,
magia e ilusão!
Ele é…
o meu Aladino
e desejo realizado da mesma lâmpada!
Ele é…
estrela na minha mão
e rosas no meu chão!
Ele é…
mistura do género mezinha de emoções
de forças ascendentes e vontades de atingir!
Ele é…
força minha,
e garra intrínseca!
Ele é…
passado que venero,
futuro que desenho!

Ele continua a ser…
o que não sabe,
e se proíbe sentir!!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ele era…

Ele era…
o inverso do meu mundo,
e parte azul do meu céu rosa!
Ele era…
a carícia contida no rosto pensado inalcançável,
e o olhar que perpetua no coração.
Ele era…
raiz de árvore nascida em chão nunca pisado,
e ave celeste nos céus longínquos!
Ele era…
porta entreaberta,
e chave lançada ao mar!
Ele era…
o toque eloquente,
e o sorriso intranquilo.
Ele era…
o sonho de todas as noites,
o desejo de todos os dias!

Ele era…
o que não sabia
e se proibia sentir!!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O futuro estava escrito na carta de amor…

- Recordo o passado e, lamento
os passeios de mão dada, que não demos!
- Mas trocamos olhares de doçura
com amor de infância… eternos!
E por cada flor murcha que te surgia
eu te ofereço agora, meu amor, um jardim!
E perdoa o beijo que a ti não foi dado
assim, como todos os dias de amargura.
- Tu eras o meu bálsamo sem, no entanto,
deixares de ser, a causa do meu cansaço.
Tu foste a partida, o percurso e a meta!
- E sou hoje, doce amor,
o troféu que exibes ao teu coração…
- E foste, deusa minha, o destino de todas
as forças, o propósito máximo, a devoção eterna.
- Sei que guardas tantas d…
- …não!, guardo, antes, a tua carta de amor!
- De predestinações, de futuros idealizados,
hoje presentes… sentidos!



E hoje…

Hoje, eu amo-te com alma finda de mortal
e eternidade dos deuses!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Hoje (não) apetece-me…

Hoje apetece-me…
Oh! Não me apetece nada…
Não me apetece rasgar
todas as folhas dos cadernos.
Partir pratos e copos num acto
de fúria contra as paredes…
hoje, não me apetece!
Não me apetece gritar até
dilacerar a alma.
Não me apetece esfriar o
corpo na chuva,
nem rebolar na lama!
Hoje não me apetece
cair num buraco sem fundo
nem bater no corpo que não reconheço!

(…)

Hoje apetece-me…
Oh… não me apetece nada!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cheiro de laranja

Sinto a fragrância
da laranja feita sumo,
e o mimo que é teu
que toca na alma que é minha.
O teu sorriso, tantas vezes
escondido, diz amar-me
quando se revela,
e na bandeja…
o copo oscilante
com sumo de laranja.

E bebo a carícia das tuas mãos,
a ternura do teu gesto
na tentativa de saciar esta sede de te amar!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Esta noite…

Fotografia de Carlos Carpier

E se esta noite
eu dormisse de mim?

E se eu me embalasse
de sonhos, esta noite?

E se acordasse em estrelas
num banho lunar?

E se nascessem cometas
em cada meu pestanejar?


Esta noite…
vou sonhar, esta noite!