sábado, 6 de março de 2010

Homens de alma comum

Magoa a tristeza e a
saudade da infância. Entre
lágrimas e cada suspiro.
O não querer fazer mais
palavras de inspiração com tinta
escura, bloqueia a mão
com uma camisa de força mental.
O sossego raro deixa a música
entrar pelos ouvidos. Mas tudo se
acaba com um bater de porta.
Há algo nesta atmosfera que
não me deixa encontrar a solução.
.
Sabes que são raras as vezes
que os homens de alma comum
pensam como as dos elevados?
Como loucos crescidos que são
não entendem as verdades de criança.
Quando os mundos eram
simplificadamente belos, quando
tudo era feito apenas do necessário.
Nessa idade de abraços pequeninos
onde tudo cabia na palma da mão.
Porque o que levávamos ao colo
era feito da essência. E algo de tal
importância, não pesa nos braços
de uma criança.
.
(Imagem da autoria de: Nelson Afonso)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Último pranto

(Reflexo de 1 Agosto 2009, "esquecido" até hoje!)

Finda a esperança nas palavras,
fecho os olhos e encerro em cruz
os braços junto ao peito.
Já não são mágicos os desabafos
já não sinto aquele libertar d'alma.
Não quero oferecer sentimentos triviais,
nem lágrimas sempre iguais…
percebi que os sorrisos se acabaram e
a vontade de estar, agora é imposta.
E desço cada vez mais, hirsuta…
deitada entre a vala escura.
Quero proibir-me de sentir ou,
no mínimo, proibir-me de expressar…
não tenho o direito de me sentir tão mal
quando há pessoas que morrem
sem alimento, sem calor,
sem cama para dormir ou água para beber.
Agora no fundo, sinto o meu ser apagado
ficar coberto por um manto frio de terra.

O que hoje sinto e quero dizer é que estou de partida!
Se vou voltar… não sei! Hoje, sinto que não!

Choro apenas a seiva vermelha deixada cair da alma!

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(Imagem da autoria de: Pedro Cabral)