quinta-feira, 13 de maio de 2010

Criador de Primaveras

Ela estava lá, enrugada e sensata,
à minha espera. E no seu altar selvagem
de grandeza infinita, aconchegou-me
como numa vermelha poltrona
sem coroa nem requinte!
(Preferi assim!)
Sentei-me ao lado dela e pedi-lhe:
Fá-lo descer daí!
Acorda-o desse embalo de nuvens
e leves penas de anjo.
Não quero que se esqueça mais de mim,
vim rezar-lhe!
E um pestanejar bastou
para que no reabrir de olhos
eu o visse a ele a olhar para mim.
Com cheiro a terra, cabelos de vento,
asas de fogo e olhos de mar,
o que queria dele,
perguntou-me sem perguntar!
.
Peço-te Criador de Primaveras,
faz o verde perdurar,
mantém a brisa fresca, os caminhos suaves
e alta a força de acreditar.
Dá-nos, Anjo meu, o sorriso
prolongado das estações quentes,
a saúde no corpo e na mente, a crença
indomável e a vontade constante no caminhar.
Faz Criador, que todos os dias sejam de sol
e que a chuva apenas caia na alma,
para as colheitas nobres regar.
Peço-te Criador de Primaveras,
faz o verde perdurar!
.
Acariciou-me a alma e sorriu.
Fechou-me os olhos num mino e
no reabrir, ele já não estava ali!
.