quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um toque na alma…

fotografia de Pedro MoreiraHoje apetece-me,
abrir todas as portas,
rasgar todas as luzes,
enfeitar todos os ares!

Hoje apetece-me,
não ser eu, para variar,
voar contra os ventos
e afogar-me em insondados mares!

Hoje apetece-me,
desacreditar em todas as crenças,
recolher cortinas teatrais,
e aplaudir todos os actos!

Hoje apetece-me,
ter asas e voar,
ler todos os contos e sorrir,
e escrever a pena todas as histórias!

Hoje apetece-me,
erguer os solos ao passar,
calar todos os ruídos,
ouvir todos os sons!

Hoje apetece-me,
saciar-me de encanto,
pintar de verde todas as cores,
e não sentir frio nos gélidos abismos!

Hoje apetece-me,
não ter medo de chorar,
não ter vergonha de rir,
sonhar borboletas de campos celestes.

Hoje apetece-me,
espreitar o horizonte,
torná-lo perto de mim,
e brincar de criança!


Eu quero rir às gargalhadas,
deitar-me no chão e ver estrelas,
passear-me por caminhos de nuvens,
tocar o sol e aquecer…

…a alma!!!

sábado, 13 de outubro de 2007

Desencanto

peço desculpa por a fotografia não estar identificadaCantam desencantos,
os cantos do poeta…
Choram manhãs de Inverno,
os olhos do poeta…
E há no rosto, o negro da alma
que mata o coração
e venda os olhos do poeta!
Ele não vê lógica ou razão
só sente a dor que lhe esmaga o peito,
dilacera todas as células,
dissemina todas as cores
e lhe confunde a visão…
Transtorna a sua vida de poeta!
Há em cada pergunta, incompreensão
e um descontentamento,
malfadado, aziago… maldito!
Há momentos de ternura
que se querem eternos,
mas distantes do presente.
Há mágoas agarradas a algo,
intrínsecas em mim
que abafam palavras,
sufocam gritos,
assassinam choros!
Quero-te longe e
que amaldiçoada sejas
por entrares, silenciosa…
cobarde!!
Espezinhas sorrisos
e julgaste poderosa…
Quem és tu? O que pensas poder?
Sai daqui coisa maligna…
Há ventos que te sopram
e Primaveras que querem nascer!!!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

23 pétalas de uma Fiori

fotografia de Natália Carvalho
Oito estrelas guiaram no céu o mês de Outubro.
Oito mares, reais e inventados, trouxeram à praia uma sereia.
Oito (mil!) vozes proclamam por ares,
suplicas de um infinito número de perdões…
um perdão, imensamente, desejado para
um esquecimento que não podia ter acontecido!
E mil, de oito, montanhas se movem
trazidas por vazios e uma dor na alma…
se curvam perante ti, doce e linda Fiori, num pedido
clamoroso de… perdão!
E astros caiem do céu,
a meu pedido, para te alegrar…
e se penduram nos teus negros caracóis
para te devolver um sorriso que te roubei!
Nem as lágrimas à noite choradas
apagam uma mágoa que rasga o peito
e se pendura numa moldura escura
“cadastrando-me” com adjectivos de maldade!
E mesmo com aquela flor murcha,
a tua Primavera nasceu…
porém, no meu jardim chove,
e só uma flor está de pé!
O nome dela… Fiori d’Amizade!
Os deuses, estendem o tapete negro,
para que eu rasteje até ao teu trono
e aí me levante… se me deres a mão!!

23 pétalas te ofereço doce Fiori.
Aquelas que o meu vento levou…
eu corri… mas não consegui agarrá-las!

Por isso… peço PERDÃO!!!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sempre na sombra…

peço desculpa pela imagem não estar identificadaPorque caminhas na minha sombra
de passos sorrateiros e vontades asfixiantes?
Porque te fazes ouvir, duende malvado,
nos instantes de eterna amargura?
Porque te fazes notar em pequenas quedas
e as fazes sentir como abismos infernais?
Porque me presenteias
com embrulhos de escritos roxos timbrados,
e me envenenas com ares irrespiráveis?
Porque me passeias por caminhos vazios
e me cantas melodias sem som?
Porque me fazes viver de vozes caladas
e desejos algemados?
Porque me deixas viver de sonhos
se ao amanhecer me acordas?
Porque me deixas escrever sem tinta
pensamentos de poeta?
Porque te chegas em sabores ultrajáveis
e te delicias de maldades?
Porque danças em rituais macabros
e impinges crenças sob negras magias?
Porque te revelas sempre tão egoísta,
possessiva e delinquente ladra de sorrisos?
Porque me fazes chorar
lágrimas de sangue intermináveis e
dores infernais de estacas, no peito, cravadas?

Quero que saibas que és odiada e
se pudesse…

…eu matar-te-ia!!