quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Hoje, para ti… e para ele!

O cheiro da manhã daquele lugar
[porque aquele lugar é diferente
de todos os outros lugares]

veio afagar-me o nariz e acordar-me
para os dias solarengos do eirado.
Desci da cama como quem
pisa um chão muito longe do seu pé
e numa imensa corrida [assim me parecia!]
atravessei a eira colorida pelas flores do canteiro.
Na minha mão ia a boneca
inventada com a fralda quase branca
que me fazia voar entre os sonhos.
Como tua "salagata", procurava a minha toca
entre os mimos teus e os dele…
nos lençóis que eram vossos,
e a ternura embalava-me noutras quimeras.

Brincava contigo e com ele,
os caracóis dele, eram o meu escorrega
e as tuas mãos a certeza de uma queda segura.
Nesse jardim, havia sempre calor… eu lembro-me!


Mais tarde, o sol entrou pela janela e
num beijo quente acordou-me novamente…
…mas hoje… bem!, hoje a "salagata" não tinha toca!
.
(Imagem da autoria de: J.Pedro Martins)