Finda a esperança nas palavras,
fecho os olhos e encerro em cruz
os braços junto ao peito.
Já não são mágicos os desabafos
já não sinto aquele libertar d'alma.
Não quero oferecer sentimentos triviais,
nem lágrimas sempre iguais…
percebi que os sorrisos se acabaram e
a vontade de estar, agora é imposta.
E desço cada vez mais, hirsuta…
deitada entre a vala escura.
Quero proibir-me de sentir ou,
no mínimo, proibir-me de expressar…
não tenho o direito de me sentir tão mal
quando há pessoas que morrem
sem alimento, sem calor,
sem cama para dormir ou água para beber.
Agora no fundo, sinto o meu ser apagado
ficar coberto por um manto frio de terra.
O que hoje sinto e quero dizer é que estou de partida!
Se vou voltar… não sei! Hoje, sinto que não!
Choro apenas a seiva vermelha deixada cair da alma!
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(Imagem da autoria de: Pedro Cabral)