quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Um outro vício

fotografia de Daniel Oliveira

 
Tenho o som no volume mais alto
que o engenho pode conseguir…
preciso embebedar-me do espírito oriental…
Pensar rápido com a caneta…
Proibição: não quero sentir os meus pensamentos!
Devaneio: preciso de um ópio que me alucine!
Porque estou farta de ser:
…relíquia partida…traço indefinido…nódoa na seda…
…incompreensão…não vontade…indefinição…
…falsificação foleira…imitação irrisória…personagem grotesca!

E a batida estridente faz-me desatinar…
mas é assim que estou a querer…
sem ter espaço para sentir,
sem ter um momento para equilibrar raciocínios!
Não pares… não pares!
Só quero ouvir a melodia longínqua da terra dos bonsais!
É um estar sem rumo, um não querer saber, um talvez que se dissipa!
E os dias que não importam, as manhãs em que o sol não aquece…
são alucinação!
As flores do jardim deixam de ser incolores…
e as batidas de um coração sem propósito, sem um fim…
fazem todo o sentido!
Este feitiço que me embriaga,
este delírio que me consome
faz-me bem e é assim que eu quero!
É assim que estou a querer!