"Tudo é menos do que é..." de Filomena Chito
E sempre vens em dias como este…de chuva lá fora e nevoeiro no olhar.
Mas é efémero o pensamento e moroso o registo da pena.
E torna-se a beleza instantânea,
numa penosa e demorada escultura em greda.
Estará presente a veracidade do sentimento,
após o toque da razão?
E tanto te tenho como já não tenho;
e ora te encontro no verde da paisagem,
como te perco no azul do céu.
Estarias no toque rápido
se não fosse o acto contraditório e demente.
E sinto no cheiro evasivo do pecado,
o dialecto perfeito de um amor.
Como te explico? Não sei!
O melhor será não o fazer…
Dou-te apenas a mão
e passeio-te quando chegas,
sobre escritos de areia,
milhares de folhas de papel,
pinceladas sobre brancas telas,
pensamentos falazes e gestos incompreendidos.
Porque não sou capaz de alcançar-te;
não sou capaz de exibir-te!
Vens de forma sorrateira de luz apagada
e matas-me de ansiedade quando te espero.
Brincas com sentimentos de verdade,
Personificando detalhes discretos
enquanto alguém finge escrever poesia…
enquanto alguém ousa sentir como poeta!