sábado, 8 de setembro de 2007

Cativa

"PARADISE... not for me" de Paulo Madeira

Vim dizer-te, a ti, que cheiras liberdade,
que num mundo invisível,
algures no meio do nada me encontro eu...
prisioneira de uma passividade infernal que me condena
a uma tortuosa e ansiosa espera de voos ascendentes!
Sinto-me ser sugada por areias esfomeadas,
e a aflição de um querer sair de um poço sem fundo!
Sinto o romper dos dedos que chega ao osso ,
numa tentativa desesperada de trepar até à luz.
Vejo o sangue derramado descendo pelos meus braços
e sinto a terrível desesperança de unhas quebradas.
Não vejo nada… aos meus olhos, a escuridão é tudo!
Sinto o meu corpo imundo,
de sangue derramado,
de lágrimas que de sujo a terra registou,
de tatuagens de feridas, jamais, cicatrizadas.
Sinto a alma conspurcada
de medos que se entranharam,
de vontades inúteis e impossíveis!
Não há escadas neste vórtice,
nem corda de salvação…
não há nada, para além de uma dor incomparável.
Nem estaca que invada o meu corpo e perfure o meu coração…
…não há...

...não há salvação!!!


Há raiva… muita raiva! Ódio e maldizeres!