Ela voou, com vontade deguerreira e asas de condor.
Devastou, o centro do campo verde e amarelo
com uma catana de fúria.
Desenhou, no chão repisado
um leito de morte e sacrifício.
Rodou a ampulheta e fez o tempo parar.
Começou o ritual mágico!
No lugar malfadado, devorou
o medo que movia a marioneta.
Deitou-os no chão
anestesiados de espuma e raiva no olhar,
pegou com respeito, em nome de tudo
que aprendera, nos braços desmaiados
e apertou, com força de infinito e
corda negra, os pulsos nas estacas
afiadas cravadas no chão.
Depois, os pés. E por requinte de gula,
todas as cabeças no final.
Cantou, estridente, para os acordar.
Riu ao respirar o desespero que
agora não lhe pertencia.
Amordaçados sentiram
a pele virar-se do avesso
arrancada por unhas vermelhas de ira.
Ouviu-os gritar de sofrimento
e sentiu-os desfalecer de dor.
Exausta, caiu no chão
fechou os olhos e viu,
o lago de sangue evaporar,
os seus medos desmaterializarem-se,
o verde e malmequeres erguerem-se
pelos contornos do seu corpo.
De pé, sentiu a brisa nos cabelos,
respirou liberdade e sorriu.
(autor da fotografia: Daniel Oliveira)