Hoje o dia acordou como há cinco anos,feio, cinzento e triste…
Hoje, a beleza dos dias não foi revelada com o sol
e tudo parece ter diminuído.
Lembro "as leiras de cima",
e o velho coberto onde eram guardadas
as tuas ferramentas, perfeitamente, alinhadas.
Lá ("nas leiras de cima")
crescia a grande cerejeira.
Lembro-me que a trepei algumas vezes
por traquinice… tu não querias!
Lembro-me de ir à tua casa
de bicicleta… eu e o mano!
E como bons heróis que éramos,
dividíamos sempre os nossos troféus…
(coisas nossas!).
No entanto, o cansaço desolava-me,
nunca achava muita graça ao caminho de regresso.
As tardes de Verão eram sempre tão quentes…
e era isso que nos libertava para um "mergulho" no tanque.
Parecia-me tão grande!
(…)
Hoje vejo que tudo é mais pequeno
do que aquilo que vemos na infância.
"- É verdade ou não é rapariga?"
E foram-se para sempre as raízes…
tudo foi atrás dos seus criadores.
Murcharam as marias brancas do caminho,
e as couves nunca mais foram plantadas.
O banco de madeira já não está lá,
secaram as videiras e a tinta da
velha casa perdeu a cor!
Avô… o chão da eira já não é quente!
Ainda sinto os teus brancos caracóis
saltitarem-me entre os dedos,
num mimo agitado e eterno.
E tenho, para sempre,
a mão terna da avó sobre a minha!
Eu guardarei a última flor do quintal,
prometo não a deixar murchar.
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(Imagem da autoria: Patrícia)