sábado, 7 de agosto de 2010

Ritual da manhã

Desliguei o despertador,
mas o pássaro de penas loucas
veio cantar-me à janela.
O seu balancear desenfreado
acordou-me o esqueleto.
Com preguiça nos ossos, levantei-me
e alonguei todas as vértebras.
Abri as portas do armário
e escolhi uma roupa para vestir…
separei o fato justo de fibra
em tons de sanguínea.
Apesar de todos os anos passados,
continua a ajustar-se à minha medida!
Depois vesti o casaco das sensações…
sempre achei que o tom
sangue do meu corpo combinava
bem com o casaco de pele clara.
Na saudação à orbe e seus
habitantes irracionais, vi no espelho
desenharem-me no rosto o olhar e
os fios de cabelos ganharam cor.
Finalmente, num último ritual sagrado
e sentados em círculo, percebi que
era ali que tudo começava…

…é no café da manhã que o corpo
recebe a alma e a capacidade de sentir.

(Imagem obtida em: http://mafmaf.no.sapo.pt/acordar1.jpg)