terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um dia de circo

Acordei com o olhar molhado,
roupas de palhaço vestidas
e entrei no anfiteatro apinhado de euforia.
Logo eu que detesto multidões!

Desorientada, caí num reboliço
e toda a gente aclamou!
É assustador o som dos aplausos.
Alienada, fui puxada até ao topo piramidal
da tenda de branco e vermelho listada.
Logo eu que detesto alturas!

Sem piedade, fui empurrada
para as cordas emaranhadas
e entre equilíbrios desequilibrados
cruzei intimidada aquela travessia.
Logo eu que detesto dubiedade.

Mas de repente, já não estava lá.
Tudo era escuro e maior do que eu…
novamente, de repente…
fui cega pelo holofote!
Senti o meu querer não responder
e todo o meu corpo mexer
sob comandos que não eram meus.
Tentei perceber mas tudo era tão
mecanicamente rápido…
deixei-me, vencida, levar!
Mais uma vez… de repente…
senti o meu corpo desanimado,
e agarrada como algo inútil
fui atirada para um canto
atafulhado de brinquedos.

Agora eu sei… eu sou uma marioneta
com vida presa entre cordelinhos.
Essa é a minha existência…
um eterno dia de circo!
.
(Imagem da autoria de: Diogo Raposo)