São complexos os pensamentos
desta alma que vive os seus dias
numa longa Primavera nocturna.
São mitológicas, as melodias
dos pássaros que lhe cantaram
outrora à janela.
São rasantes os voos das aves
que lhe habitam a essência.
E num vertiginoso lançamento
atira-se da falésia
com os seus braços abertos
e de penas despidos.
Perde a pele com o vento
que dela se apropriou pelos poros.
No final da livre queda
fica na alma o que sobrevive,
e o corpo decadente,
e quase insano, ainda,
laça a tempo a essência
e prende-a por um fio!
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(Imagem da autoria de: ABrito)
