quinta-feira, 24 de março de 2011

Dias nocturnos

 
Lá na rua onde eu moro,

há uma viela onde a noite nunca dorme.

Calcorreio a calçada

com destino ao bar anónimo

e na pausa de um trago clandestino

fumo o meu ópio com um sorriso [contrafeito]

emoldurado pelo batom vermelho

encontrado no fundo da gaveta.

O murmúrio ambiente desequilibra-me o ego,

e apodera-se do meu corpo

uma sensação agorafóbica que me convida a sair.


O compasso do salto alto

afasta os gatos do caminhos e

atrai os pensamentos desonestos

[dos vadios daquela viela].

Evadida, dobro a esquina

e paro, mais adiante, sob a luz do luar.

Observo a sombra [que nasce em mim],

prisioneira aos meus dias de lua

e desisto de caminhar, porque…


…lá na rua onde eu moro,

há uma viela onde a noite nunca dorme.


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(Imagem da autoria de: Carlos Medeiros)