Lá na rua onde eu moro,
há uma viela onde a noite nunca dorme.
Calcorreio a calçada
com destino ao bar anónimo
e na pausa de um trago clandestino
fumo o meu ópio com um sorriso [contrafeito]
emoldurado pelo batom vermelho
encontrado no fundo da gaveta.
O murmúrio ambiente desequilibra-me o ego,
e apodera-se do meu corpo
uma sensação agorafóbica que me convida a sair.
O compasso do salto alto
afasta os gatos do caminhos e
atrai os pensamentos desonestos
[dos vadios daquela viela].
Evadida, dobro a esquina
e paro, mais adiante, sob a luz do luar.
Observo a sombra [que nasce em mim],
prisioneira aos meus dias de lua
e desisto de caminhar, porque…
…lá na rua onde eu moro,
há uma viela onde a noite nunca dorme.
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(Imagem da autoria de: Carlos Medeiros)
